Taxa SELIC: o que é e como impacta o financiamento imobiliário?

A taxa SELIC é utilizada nos empréstimos feitos entre os bancos e também nas aplicações realizadas pelos mesmos em títulos públicos federais.

Um estudo recente publicado pelo portal InfoMoney, apontou que “99,4% dos brasileiros não conhecem o conceito de juros compostos e que mais da metade desses não têm a verdadeira compreensão do que seja uma taxa de juros". Diante desse número preocupante, não é difícil supor que grande parte dos que lerão esse artigo, incluindo você, podem fazer parte desta estatística.

Mas, não se julgue, apesar de já estarmos condicionados a correr atrás de todo e qualquer tipo de informação na internet, sem uma base, é comprovadamente mais difícil. Não é à toa que já existem projetos de lei que visam a inserção da economia como matéria regular em escolas brasileiras assim como existe em países como Reino Unido e Estados Unidos.

É claro que estar atrás dos países chamados “primeiro mundo” não é mais uma novidade, mas, o verdadeiro impacto dessa falta de conhecimento e consequentemente desses números está no quão isso irá influenciar na gestão de suas finanças e tratando exclusivamente do assunto deste artigo, na compra do seu imóvel - e é aí que entra a Selic.

Neste texto você vai entender:

O que é Taxa Selic?

De forma resumida, a Selic é a taxa básica de juros, um índice pelo qual todas as taxas cobradas pelos bancos no Brasil se balizam. A taxa é utilizada nos empréstimos feitos entre os bancos e também nas aplicações realizadas pelos mesmos em títulos públicos federais.

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Como é determinada a Taxa Selic?

A Selic é estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne dois dias seguidos, num total de 8 encontros anuais para definir a taxa de juros com base no contexto atual e nas expectativas futuras sobre a economia brasileira.  

Por via de regra, aumentar a taxa básica de juros é a alternativa do Copom para frear a inflação - como costuma dizer o Engenheiro, Economista e também colunista Luiz Mendonça de Barros, “o aumento da taxa básica é o chá amargo para curar a economia”.

Com o aumento dos juros, as pessoas físicas tendem a comprar menos, e as pessoas jurídicas também tendem a tomar menos empréstimos e a investir menos. O resultado disso é um atividade econômica menor, o que por sua vez pode diminuir a pressão inflacionária.

Por outro lado, a redução da Selic é utilizada para aquecer a economia. Afinal, reduz-se os juros sobre os empréstimos bem como os rendimentos pagos pelas aplicações financeiras. Com isso, é estimulado portanto o consumo das famílias e o investimento das empresas na produção.

Como a Selic influencia na hora de comprar um imóvel?

Com o aumento da taxa Selic, ainda que com a redução dos preços dos imóveis, haverá também um reajuste no valor do financiamento imobiliário. Por exemplo, em um contrato indexado à Selic, se a taxa subir de 10% para 12%, a taxa de financiamento acompanhará esse movimento, aumentando o custo das prestações do imóvel.

Por ser um bem de alto valor, a venda de um imóvel é muito sensível ao crédito. Assim, com um possível aumento, menos pessoas estarão dispostas ou aptas a financiar, o que diminui a procura, e desacelera o preço dos mesmos.

Do contrário, caso da Selic caia de 10% para 8%, por exemplo, haverá consequentemente, uma queda na taxas de financiamento imobiliário, o que ampliará as chances de adquirir um imóvel, aquecendo a procura. Além disso, se a oferta não acompanhar o mesmo movimento poderá haver uma valorização dos bens.

E se eu comprar à vista ou quiser apenas investir?

Bom, se você entendeu tudo até aqui, deve ter constatado que o aumento da Taxa Selic pode ser um cenário favorável a possíveis investidores e para quem pretende comprar à vista.

Com a Selic em alta, os empréstimos e financiamentos ficarão com taxas maiores, ao mesmo tempo que a mesma taxa elevada poderá resultar em uma possível redução de preços por parte dos proprietários e até mesmo de construtoras para estimular as vendas. Assim, aumentam as chances de encontrar oportunidades com preço bastante atrativo caso opte por pagar à vista ou mesmo fazer um bom negócio.

Por outro lado, é importante entender que uma Selic maior implica em maiores rendimentos em renda fixa. A diferença entre o custo de captação dos empréstimos e o rendimento do seu dinheiro em aplicações bancárias, também denominado spread bancário, é diretamente influenciado pela taxa Selic. Na prática, ao invés de pagar o imóvel à vista, você pode financiá-lo e investir o valor que seria utilizado para comprá-lo à vista em alguma aplicação financeira de renda fixa.

Com isso, você utiliza os os rendimentos do investimento em renda fixa para abater as prestações do financiamento imobiliário. Isso permite que você mantenha o dinheiro em mãos para o caso de alguma emergência, por exemplo. Contudo, é importante avaliar bem as condições do empréstimo, para evitar que o pagamentos de juros do financiamento seja muito superior ao valor que advém da renda fixa.

Ou seja, antes de tomar uma decisão entre comprar o imóvel à vista ou financiar, é preciso avaliar bem o contexto econômico e analisar as vantagens e desvantagens de cada opção.

[Leia mais] Financiar ou pagar à vista? Confira a melhor opção para você!

Qual é a Taxa Selic hoje? Veja o histórico 

A Taxa Selic hoje está em 13,25%. Na última reunião do COPOM, realizada entre os dias 14 e 15 de junho, o Comitê de Política Monetária optou pelo aumento da taxa básica de juros em 50 pontos base, elevando a Selic de 12,75% para 13,25%.


Entre 2016 e 2020, o Copom manteve uma redução constante da taxa Selic, que caiu de 14,25% para apenas 2% ao ano, o menor patamar da história. Isso barateou o financiamento imobiliário e gerou um aumento da procura por casas, prédios e apartamentos, com consequências também sobre a valorização dos imóveis.

Contudo, devido à maior pressão inflacionária em 2021, o Copom mudou a trajetória de juros e, pela primeira vez em 5 anos, a Taxa Selic subiu, saindo de 2% e atingindo 13,25%. A expectativa é que essa trajetória de alta ainda permaneça, entretanto, o mercado imobiliário não deve esfriar com essa alteração na taxa Selic.

[Leia mais] Mercado imobiliário em 2021: com SELIC subindo, vale a pena investir em imóveis?

Afinal, o investimento em imóveis é sempre de longo prazo, portanto o peso dessas variações de juros no curto prazo são menos impactantes sobre esse tipo de investimento.

Considerando o histórico de juros no país, uma Selic de 13,25% não é tão incomum (em julho de 2015 chegou a atingir 14,25%). Com esse patamar de juros, o rendimento dos imóveis ainda continua superior às aplicações financeiras. Além disso, em um passado não tão distante, o mercado imobiliário avançava mesmo com uma taxa de juros muito superior a essa.

Por isso, se você quer investir no mercado imobiliário, não se preocupe: ainda existem inúmeras oportunidades para você adquirir seu imóvel e sair no lucro!

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